O que os cartórios já resolvem fora dos tribunais
- João Gilberto Brasio
- 3 de jun.
- 2 min de leitura
Atualizado: 5 de jun.
O QUE OS CARTÓRIOS JÁ RESOLVEM FORA DOS TRIBUNAIS
Durante muito tempo, a ideia de resolver um problema jurídico esteve quase sempre ligada à imagem do processo judicial. Para muitas pessoas, qualquer questão envolvendo família, imóveis, documentos, herança, contratos ou direitos civis parecia exigir, necessariamente, uma ação na Justiça.
Mas o Direito brasileiro mudou.
Nos últimos anos, os cartórios passaram a ocupar um papel cada vez mais importante na solução de diversas situações da vida cotidiana. Esse movimento é conhecido como desjudicialização: a possibilidade de resolver determinados atos fora dos tribunais, com segurança jurídica, fé pública e maior simplicidade.
Isso não significa substituir o Poder Judiciário. Significa reservar o Judiciário para aquilo que realmente exige decisão judicial, conflito intenso ou intervenção do juiz. Ao mesmo tempo, permite que questões consensuais, documentais ou formalizáveis sejam resolvidas por vias extrajudiciais, com mais rapidez e eficiência.
Inventários, divórcios consensuais, escrituras, procurações, atas notariais, reconhecimento de firmas, autenticações, regularizações imobiliárias, uniões estáveis e diversos outros atos podem, em determinadas condições, encontrar solução nos serviços notariais e registrais.
O cidadão ganha porque encontra um caminho mais direto. O advogado ganha porque passa a atuar também de forma preventiva, estratégica e extrajudicial. O sistema de Justiça ganha porque deixa de receber demandas que podem ser resolvidas de maneira mais simples.
Os cartórios, nesse contexto, deixam de ser vistos apenas como locais burocráticos. Passam a ser compreendidos como instrumentos de cidadania, segurança jurídica e pacificação social.
É claro que nem tudo pode ser resolvido em cartório. Há situações que dependem da Justiça, especialmente quando existe conflito, incapacidade, disputa patrimonial complexa ou exigência legal específica. Por isso, a orientação profissional continua sendo essencial.
Ainda assim, é importante que o cidadão saiba: muitas questões que antes pareciam depender exclusivamente de um processo judicial hoje podem ter caminhos mais simples, seguros e acessíveis.
A desjudicialização não elimina o Direito. Ao contrário, aproxima o Direito da vida real.
E é justamente esse o tema central do livro O Que o Cartório Já Resolve Além dos Tribunais: mostrar, em linguagem clara e acessível, como os cartórios vêm participando dessa transformação e como o cidadão pode compreender melhor os caminhos extrajudiciais disponíveis.
Porque conhecer esses caminhos também é uma forma de exercer cidadania.

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